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Por que o semiárido ainda luta para avançar?

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Paulo PinheiroCCET/UFRN

O estudo ‘Estrutura etária, janela de oportunidade e emprego formal no Semiárido Setentrional: uma análise regional alternativa’, fruto da tese de doutorado de Jonilson de Souza Figueiredo, apontou que a região possui um prazo estratégico para transformar o crescimento da população em idade ativa em desenvolvimento econômico real. A pesquisa foi desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Demografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), sob orientação da professora Luana Junqueira Dias Myrrha.


O trabalho analisou a mudança profunda na estrutura etária que vem ocorrendo no Semiárido Setentrional brasileiro. A região, antes historicamente caracterizada por altas taxas de fecundidade e mortalidade, agora apresenta um estreitamento da base de sua pirâmide populacional e um aumento expressivo da População em Idade Ativa (PIA), que saltou de 5,9 milhões, em 1970, para 13,3 milhões, em 2022.


Esse fenômeno criou uma janela de oportunidade, período em que a proporção de pessoas em idade produtiva é maior do que a de dependentes (crianças e idosos), favorecendo potencialmente o crescimento econômico.


Embora essa janela tenha se aberto fora do Semiárido por volta de 1990, no Semiárido Setentrional o processo teve início apenas em 2005. Essa defasagem de quinze anos oferece à região um lapso temporal estratégico para aproveitar o chamado “bônus demográfico”.


No entanto, a análise do Índice de Emprego Formal (IEF) revela que esse bônus foi aproveitado de forma moderada apenas até 2014, seguido por um período de estagnação. Em 2021, a desigualdade inter-regional ainda era evidente: enquanto o IEF no restante do país era de 37,8%, no Semiárido Setentrional esse índice alcançava apenas 17,1%.


O perfil da força de trabalho na região também envelheceu, com a predominância de adultos entre 30 e 49 anos, o que exige uma mudança nas políticas públicas de educação e trabalho. Diferentemente das décadas passadas, quando o foco era o ensino básico para jovens, a atual estrutura demográfica demanda investimentos urgentes em formação técnica e profissionalizante, para garantir o retorno imediato da produtividade.


Além disso, a forte presença do setor público na geração de empregos formais na região — que chega a 41,2% dos vínculos no Semiárido Setentrional — sinaliza a necessidade de uma diversificação econômica para absorver o excedente populacional de forma sustentável.


O trabalho também destaca que a demografia não é um destino inflexível, mas, sim, um fator que interage com as políticas econômicas e sociais. Sem investimentos em infraestrutura e na superação das limitações impostas pelas secas recorrentes, a janela demográfica corre o risco de se fechar sem que a riqueza potencial seja plenamente convertida em bem-estar para a população local.


O artigo foi publicado na Revista Brasileira de Estudos Populacionais (Rebep) e pode ser acessado AQUI. Para quem quiser saber mais detalhes e uma visão mais aprofundada sobre o tema, a tese de doutorado de Jonilson está disponível na BDTD da UFRN.


Fonte: CCET/UFRN; Texto: Paulo Pinheiro; Edição: Vilma Torres; Revisão: Beatriz de Azevedo