Autoavaliação fortalece cursos de graduação na EAJ

A Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ/UFRN) recebeu, nesta quinta-feira, 20, representantes da Comissão Própria de Avaliação (CPA) da UFRN para a apresentação dos relatórios finais do processo de autoavaliação dos cursos de Engenharia Agronômica e Zootecnia. Professores, estudantes e gestores participaram de dois encontros ao longo da manhã, nos quais foram apresentados os principais resultados do diagnóstico e discutidos caminhos para o aprimoramento dos cursos.
A iniciativa de realizar a autoavaliação foi articulada pela Direção da EAJ, pelas coordenações dos cursos e pela Assessoria Acadêmica de Graduação como uma ação preventiva de preparação para os próximos processos de avaliação externa do Ministério da Educação (MEC). Mais do que antecipar uma eventual visita avaliativa, a proposta buscou utilizar o olhar da CPA para identificar potencialidades, reconhecer desafios e subsidiar o planejamento conjunto de ações de melhoria.
O trabalho foi desenvolvido ao longo dos últimos meses e envolveu a escuta de estudantes, professores, servidores técnico-administrativos e gestores. As informações coletadas foram sistematizadas e analisadas pela CPA, dando origem aos relatórios dos dois cursos. Resultados preliminares já haviam sido apresentados à gestão da EAJ e também discutidos com a administração central da Universidade. A etapa desta quinta-feira marcou a devolutiva final à comunidade acadêmica.
Os relatórios foram apresentados pelo professor Marconi Macedo, membro da CPA. Durante os encontros, ele ressaltou que a autoavaliação não surgiu em resposta a um problema específico, mas como um instrumento de planejamento e preparação dos cursos. Mesmo diante dos bons indicadores identificados em diferentes dimensões, o processo permitiu reconhecer aspectos que ainda podem ser aprimorados.
Potencialidades e desafios
No curso de Zootecnia, entre os pontos positivos destacados estão a qualificação do corpo docente, o bom desempenho em avaliações externas, a atuação em pesquisa e extensão, as iniciativas voltadas ao empreendedorismo e à inovação, a existência de estruturas e áreas experimentais e as oportunidades de estágio e inserção profissional.
O relatório também aponta desafios relacionados à evasão e ao acompanhamento acadêmico, à integração entre a formação básica e profissional, à ampliação das atividades práticas e vivências de campo, à modernização da infraestrutura e dos recursos tecnológicos, ao fluxo de informações e à participação estudantil.
Na Engenharia Agronômica, a avaliação identificou como aspectos positivos a procura pelo curso ao longo dos últimos anos, o envolvimento da comunidade acadêmica, a organização didático-pedagógica e a formação voltada às diferentes possibilidades de atuação profissional. Entre os pontos que demandam atenção estão a modernização de laboratórios e espaços didáticos, a participação da comunidade acadêmica nos processos de planejamento e avaliação, o acompanhamento do fluxo estudantil e a comunicação institucional.
Os dados também chamaram a atenção para mudanças recentes na ocupação das vagas de Engenharia Agronômica, reforçando a necessidade de ações voltadas à atração de novos estudantes e à permanência no curso. Na Zootecnia, o acompanhamento da evasão e do percurso acadêmico dos estudantes também aparece entre os aspectos considerados prioritários.

Avaliar para transformar
Para o presidente da CPA, professor Alexandre Queiroz, a entrega dos relatórios encerra uma etapa do processo, mas não o trabalho iniciado pela autoavaliação. A partir do diagnóstico, cabe aos cursos e à gestão, em articulação com diferentes setores da Universidade, transformar as informações produzidas em planejamento e ações concretas.
Essa perspectiva já vem orientando iniciativas na EAJ. Desde as primeiras devolutivas da comissão, coordenações, assessoria acadêmica, professores, estudantes e direção passaram a discutir alternativas para os aspectos identificados. Algumas medidas começaram a ser implementadas, enquanto outras dependem de planejamento de médio prazo ou de articulação com diferentes unidades e setores da UFRN.
Ao final dos encontros, o diretor adjunto da EAJ, professor Márcio Dias Pereira, agradeceu à CPA pela disponibilidade, pela condução do processo e pela qualidade técnica dos relatórios. Ele ressaltou a importância de uma avaliação independente e criteriosa para orientar decisões e também fundamentar o diálogo da unidade com outros setores da Universidade na busca por soluções.
Márcio destacou ainda a mobilização iniciada por estudantes, professores, coordenações e equipes da unidade após as primeiras devolutivas. Para ele, reconhecer as dificuldades faz parte de uma instituição que pretende avançar. O desafio, agora, é transformar cada ponto identificado em oportunidade de trabalho coletivo.
Questões que podem ser solucionadas internamente já começaram a ser encaminhadas, enquanto demandas mais amplas estão sendo articuladas com outros setores da UFRN. A proposta é acompanhar os indicadores, estabelecer prioridades e avaliar continuamente os resultados das ações adotadas.
Mais do que uma preparação para uma futura avaliação externa, a autoavaliação passa, assim, a funcionar como instrumento de gestão acadêmica. Ao reunir diferentes olhares sobre os cursos e colocar seus resultados em discussão com a comunidade, o processo reforça uma compreensão compartilhada na EAJ: a qualidade da formação é uma construção permanente e coletiva.
Com a conclusão dos relatórios, inicia-se uma nova etapa. O diagnóstico produzido pela CPA oferece um panorama dos avanços alcançados e dos desafios que permanecem. A partir dele, a comunidade acadêmica segue mobilizada para transformar avaliação em planejamento e planejamento em ações, somando esforços para fortalecer os cursos de Engenharia Agronômica e Zootecnia e a formação oferecida pela UFRN.