Docentes do DECIN lançam e-book em parceria com IHGRN sobre legado da Viúva Machado
O Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN) lançou, em parceria com o Departamento de Ciência da Informação (DECIN) do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA/UFRN), o e-book intitulado Viúva Machado: do palacete dos bailes à solidão das calúnias. O livro foi organizado pelas docentes Patrícia Macêdo e Jacqueline Araújo e pelo historiador Henrique Lucena.
Com o objetivo de preservar, valorizar e divulgar a memória potiguar, a obra inaugura a série de livros Informação, Educação e História, realizada pelo Grupo de Trabalho IHGRN Explica, composto pelos sócios Henrique Lucena (coordenador), Luciano Capistrano, Matheus Pereira, Patrícia Macêdo, Pedro Simões e Yuri Simonini.
O GT é voltado à produção de conteúdo acessível, com base no conhecimento sobre o Estado. Neste volume, os autores refletem sobre o silenciamento histórico da presença de Amélia Duarte Machado, abrindo espaço para discussões mais amplas sobre poder, gênero e memória no contexto potiguar.
A ideia da publicação surgiu a partir da Caminhada da Memória, uma atividade de ensino e extensão desenvolvida em colaboração entre o DECIN e o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte. Embora tenha sido articulada a partir das disciplinas Memória e Patrimônio e História dos Registros, a ação extrapolou os limites da sala de aula e envolveu um público diverso, incluindo estudantes, professores da rede básica, pesquisadores, moradores da cidade e visitantes interessados no patrimônio histórico e nas narrativas silenciadas da cidade.
O e-book permite que educadores, estudantes, pesquisadores, moradores locais e o público em geral tenham acesso a reflexões que conectam passado e presente, podendo também ser utilizado como material didático em sala de aula, ao abordar uma importante personagem da história do Rio Grande do Norte.
O livro parte da figura histórica de Amélia Duarte Machado, não para reconstruir sua biografia de maneira linear, mas para provocar reflexões sobre silenciamentos históricos, gênero, patrimônio e modos de habitar a cidade. De acordo com a docente do DECIN e uma das organizadoras da obra, Patrícia Macêdo, a figura da Viúva Machado rompeu com os padrões esperados de seu tempo e teve sua história distorcida.
“Sua figura foi marcada por uma narrativa de medo, silenciosamente reforçada por estruturas de poder misóginas que, historicamente, buscavam neutralizar mulheres que ousaram ocupar espaços de destaque”, ressaltou Macêdo.
Sobre o livro, a docente destaca a importância de publicações sobre figuras históricas: “Mais do que resgatar uma trajetória individual, o e-book contribui para um debate coletivo sobre gênero, poder e patrimônio, convidando leitores e leitoras a refletirem sobre quem tem o direito de ser lembrado, representado e homenageado na história”, declara Patrícia Macêdo.
O e-book está disponível gratuitamente no site do Repositório da UFRN.
Viúva Machado
Amélia Duarte Machado, conhecida popularmente como Viúva Machado, foi uma figura influente no cenário urbano e econômico de Natal entre os séculos XIX e XX. Após o falecimento de seu marido, o comerciante Manoel Duarte Machado, em 1934, ela se tornou um dos ícones mais poderosos da capital potiguar.
No entanto, sua memória foi distorcida ao longo do tempo. Transformada em um mito assustador no imaginário popular como o “papa-figo”, sua figura passou a ser marcada por uma narrativa de medo, espalhando-se pela cidade como uma lenda urbana e silenciando a contribuição de Amélia Machado na história do Estado.
Edição: Vilma Torres; Revisão: Beatriz de Azevedo.