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EMUFRN e EAJ articulam produção de palhetas para instrumentos de sopro

Portal da UFRN

Por Agecom/UFRN

O projeto nasceu de forma experimental no Quintal da Escola de Música. Foto: EMUFRN


A Escola de Música da UFRN (EMUFRN), em parceria com a Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ), está realizando um projeto de pesquisa com o objetivo de cultivar a matéria-prima para a fabricação de palhetas para instrumentos de sopro na UFRN. A proposta é viabilizar a produção de palhetas para diminuir os custos para os compradores locais e facilitar a prática de instrumentos de sopro.


O projeto é vinculado ao Laboratório de Palhetas da UFRN. Seu objetivo é estudar a planta Arundo donax em Natal e observar seu desenvolvimento na região. Essa gramínea, popularmente conhecida como cana-do-reino, é uma espécie de planta com flor pertencente à família das poáceas. É nativa do Grande Oriente Médio e cresce em solos úmidos, frescos ou moderadamente salinos. A planta é muito parecida com o bambu e cresce geralmente no sul da França, na Argentina e na Califórnia.


A espécie é usada há séculos na construção de instrumentos e como matéria-prima para a fabricação de palhetas de saxofone, clarinete, oboé, entre outros instrumentos de sopro. “Trouxemos uma muda e plantamos de forma experimental no jardim da Escola de Música”, explica o professor Amandy Bandeira, coordenador do Laboratório de Palhetas e um dos responsáveis pelo projeto. Segundo ele, seria apenas um desafio diante de todas as adversidades, tendo em vista que a Arundo donax é uma planta de clima temperado. Para a surpresa de todos, além de ter sobrevivido, a planta se desenvolveu muito bem. 


O processo de produção das palhetas é longo. Após a planta chegar num tamanho de quatro a cinco metros e numa espessura de 2,5 centímetros, é cortada. É levada para secagem no sol por um período de 30 a 60 dias e depois vai secar na sombra por cerca de quatro meses. Após a secagem, a cana é cortada em pequenos tubos e  lixada até chegar no acabamento ideal das palhetas.


A produção de palhetas é feita pela equipe do laboratório, formada pelos professores Amandy, João Paulo e Ronaldo Ferreira e pelos alunos dos cursos de bacharelado, mestrado e técnico da Escola de Música. Agora a parceria com a EAJ conta também com o apoio do professor João Virgínio.


O processo de produção das palhetas envolve o plantio, a secagem e as etapas de acabamento. Foto: Kaio Gabriel


Segundo o professor Amandy, atualmente, para se fazer palhetas artesanalmente, é preciso importar as canas já secas da Argentina ou da França. Contudo, essa produção tem um custo muito alto. Amandy afirma que clarinetistas geralmente compram palhetas importadas, feitas industrialmente, mas que esse resgate da produção à mão tem acontecido aos poucos.


“Nós tínhamos que importar a matéria-prima. Com esse cultivo local, barateamos a produção e poderemos oferecer no mercado uma palheta com o custo mais baixo”, afirma. Ao tornar as palhetas mais acessíveis, o uso dos próprios instrumentos tende a aumentar. Segundo Amandy, o projeto também tem esse cunho social a médio e longo prazo.


A planta demora cerca de um ano para desenvolver suas hastes, mas, segundo o professor Amandy, a primeira testada se desenvolveu em cerca de seis meses. Desde o início de 2026, o Laboratório firmou parceria com a Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ) da UFRN, por meio do professor João Virgínio Emerenciano Neto. A parceria contempla a avaliação agronômica do cultivo da Arundo donax, com acompanhamento do estabelecimento, crescimento e desenvolvimento da planta e análise de sua adaptação às condições edafoclimáticas da região. O projeto também está estudando outras potencialidades da Arundo donax.


A iniciativa representa um passo importante para a produção de palhetas, unindo diferentes áreas em um objetivo em comum: o uso da pesquisa para a popularização de instrumentos.